Postado por: Romanna Remor – 07 de fevereiro de 2010 – 12h33
A família Silva, além de numerosa, tem representantes ilustres. Ou alguém desdenha de um Lula da Silva? Se preferirem uma representante feminina, que tal a Marina?
Mas o que tem a família Silva a ver com a “educação”? Para mim, uma rica e importante lição: ambos nordestinos, oriundos de famílias humildes, Marina e Lula da Silva tiveram que vencer obstáculos (tanto materiais quanto imateriais) para freqüentar a escola e ter acesso à educação. Marina transformou o desafio do “aprender” em formação superior (História) e pós-graduação (Psicopedagogia). Lula completou ensino técnico – também de grande valor -, o que possibilitou que ascendesse a torneiro mecânico profissional, a lider sindical. até tornar-se, por duas vezes, Presidente do Brasil com índices de aprovação jamais vistos.
Imagino o que teria acontecido a esses dois brasileiros “cabeças-chatas” se a educação, embora de natureza e intensidade diversas, não tivesse cruzado seus caminhos… Onde teriam chegado? Sequer ouviríamos falar de seus nomes? Do que teriam privado o país? Vou além: que efeito provocaria em suas vidas, atuação e conquistas, a etapa mais aprofundada da educação secular experimentada nos bancos escolares universitários? Bem, na vida de Marina, basta observá-la para saber. Quanto a Lula, não sei se algum dia saberemos.
Contudo, no meu irresponsável exercício de imaginação, ouso pensar que poderíamos ter tido um Presidente mais sensível a questões fundamentais para o desenvolvimento pleno de uma nação. Capici? Realmente não é fácil explicar questões sensíveis, abstratas e intangíveis. Ainda mais na era do mensalão, da degradação ambiental, do reinado das drogas, da promiscuidade moral. Talvez outros Silva entendam o que estou tentando comunicar… É que só se pode testemunhar as transformações surpreendentes (e intangíveis) que o amor pelo saber e pelas ciências operam na alma das pessoas quem já experimentou-as. E quem experimenta, faz delas companheiras de toda a vida.
Com Lula, demos passos importantes. Ele mostrou ao mundo que qualquer um pode ”vencer” e sobrepujar as dificuldades do meio, chegando a ser Presidente da Repúbica com apenas uma formação técnica. Foi importante; fez muitos “Silva” acreditarem que podem “dar certo” do jeito que são, com suas limitações e dificuldades. Contudo, precisam aprender também que podem ir além se derem os passos seguintes.
Além de mesa farta, carro na garagem e carteira assinada temos o direito de ansiar por qualidade de vida, segurança, relações éticas e respeitosas nas esferas pública e privada, zêlo pelo dinheiro público, cabeças informadas, críticas e independentes – ainda que sejam para reprovar o próprio governo.
Lula fez-nos avançar, e não foi pouco. Mas ainda precisamos dar o “pulo do gato”. O próximo capítulo requer líderes com mais sensibilidade para elevar não somente indicadores econômicos e nossa auto-estima com o cinema, com a Copa do Mundo ou em Davos, mas também nossos valores, comportamento e, portanto, nosso destino como nação.
Já dizia um sábio e inspirado líder de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: “Mude o ambiente e este, com o tempo, voltará a ser o que era; mude as pessoas e elas irão transformar seu ambiente”.
Pensei: “… fim de ano, todos fazemos reflexões; assim como eu posso e devo rever minhas atitudes em 2009 para melhorá-las no novo ano, o Prefeito pode estar querendo rever posturas, corrigir rotas e melhorar seu relacionamento com os vereadores e com a Câmara. Vou!!!”

Sábado pela manhã, depois de muito strudell no café da manhã, leio os jornais de Criciúma (aliás, graças ao iPhone do Gileno, e viva a tecnologia) e o que vejo? Prefeito Salvaro diz que vai protocolar Projeto de Lei semelhante ao do Portal da Transparência na segunda-feira. Exatamente no dia em que o veto do Prefeito ao Projeto Popular seria vetado. Olha, só a exuberância de Gramado e aquele contagiante espírito natalino para não acabar com meu final de semana. Por que o Prefeito não fez isso meses atrás? Por que esperou uma cidade inteira mobilizar-se, levantar uma bandeira e ter de lutar por ela? E agora? O que aconteceria? Bem, de minha parte, nada mudava. A última artimanha não invalidaria um Projeto de Lei que, a essa altura, não era mais dos vereadores – mas da sociedade.











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